
21/10/2026
VOCAÇÃO GOLPISTA?
Desde a sua Independência em 1822, o Brasil já enfrentou nada menos que nove golpes de Estado. Todos eles impactaram a vida política do País e da sociedade deixando suas marcas indeléveis. E este ato político, como sabemos, consiste na tentativa de subverter a ordem institucional e a supressão do Estado de Direito.
AINDA NO IMPÉRIO DA MONARQUIA
Em 1823 na chamada "A Noite da Agonia": D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte com o apoio do exército, centralizando o poder.
NA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
Os dois primeiros golpes ocorreram ainda antes da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, é exatamente nesta data que também teríamos o primeiro golpe, agora como República, quando o marechal Deodoro da Fonseca reuniu seus soldados para depor o Visconde de Ouro Preto, até então ministro de D. Pedro II.
"UTOPIA AUTORITÁRIA BRASILEIRA"
O livro "Utopia autoritária brasileira: Como os militares ameaçam a democracia brasileira desde o nascimento da República até hoje", escrito pelo historiador e professor da UFRJ Carlos Fico e publicado em 2025, investiga o intervencionismo militar na história do Brasil de 1889 até o período recente. O autor argumenta que todas as grandes crises institucionais e rupturas da legalidade constitucional na história republicana brasileira tiveram origem ou causa de natureza militar.
"UTOPIA AUTORITÁRIA"
O conceito sintetiza a crença persistente entre militares de que os problemas estruturais do Brasil — como a corrupção dos políticos ou a suposta subversão — seriam resolvidos e o país se tornaria uma grande potência se tutelado ou governado por eles. Seriam realmente?
A TRADIÇÃO DA IMPUNIDADE
O livro aponta que a longevidade desse golpismo crônico se deve à falta de punição efetiva ao longo de mais de um século de República (reforçada por anistias históricas). A obra ganha forte atualidade ao dialogar com as investigações e processos judiciais envolvendo tentativas de ruptura institucional recentes, destacando a quebra de um ciclo histórico em que golpistas passavam imunes. Fico propõe uma análise estrutural – e crítica – da presença militar no imaginário e, na prática, do poder brasileiro.
"ELOGIO DA CORRUPÇÃO: Os Incorruptíveis e Seus Corruptos"
É uma obra de cunho psicanalítico e filosófico. A autora investiga a gênese do moralismo e a figura dos "incorruptíveis", questionando como a exigência extrema de pureza moral se relaciona com o autoritarismo, a intolerância e as armadilhas psíquicas do poder. O livro propõe uma reflexão provocativa sobre a natureza humana, a culpa e os mecanismos sociais que criam tanto a figura do corrupto quanto a do "salvador" moralista.
