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  • Foto do escritor: Antonio Jose Silva
    Antonio Jose Silva
  • há 29 minutos
  • 2 min de leitura

20/07/2026


O QUE FAZ O BRASIL, BRASIL?

Livro, escrito por um dos mais importantes antropólogos brasileiros, Roberto DaMatta. O que faz o brasil, Brasil? é justamente aquilo que faz com que nos reconheçamos como brasileiros nos mínimos e mais variados gestos. Múltiplo e rico, o Brasil é o país do carnaval e do feijão com arroz: da mistura e da fantasia. Mas também do jeitinho que dribla a lei e da hierarquia velada pela cordialidade. Somos brasileiros na devoção e no sincretismo, no culto à ordem e na malandragem, no trabalho duro e na preguiça.


COMO SE CONSTRÓI UMA IDENTIDADE?

Como um povo se transforma em Brasil? A pergunta, na sua discreta singeleza, permite descobrir algo muito importante. É que no meio de uma multidão de experiências dadas a todos os homens e sociedades, algumas necessárias à própria sobrevivência, como comer, dormir, morrer, reproduzir-se etc., outras acidentais ou superficiais: históricas, para ser mais preciso – o Brasil foi 'descoberto' por portugueses e não por chineses, a geografia do Brasil tem certas características como as montanhas na costa do Centro-Sul, falamos português e não espanhol ou inglês.


QUEM SOU EU E QUEM É VOCÊ?

Pois bem: somando esses traços, forma-se uma sequência que permite dizer quem sou, em contraste com o que seria um americano, aqui definido pelas ausências ou negativas que a mesma lista efetivamente comporta. A construção de uma identidade social, então, como a construção de uma sociedade, é feita de afirmativas e de negativas diante de certas questões.


UMA IDENTIDADE AMBÍGUA

DaMatta explora a ambiguidade da nossa identidade. O antropólogo pontua que o brasileiro oscila constantemente entre dois extremos: Ufanismo exagerado: A exaltação das belezas naturais, do futebol e da alegria do povo. Pessimismo autodepreciativo: O "complexo de vira-lata" puro, onde o brasileiro se enxerga como um povo intrinsicamente "errado", incapaz de se desenvolver e sempre inferior às nações do hemisfério norte. Segundo o autor, esse comportamento é um mecanismo de defesa contra nossas próprias frustrações institucionais e desigualdades.


RAÍZES DO CONCEITO

O termo foi criado originalmente pelo dramaturgo Nelson Rodrigues em 1950, após a trágica derrota da Seleção Brasileira para o Uruguai na final da Copa do Mundo. Para Rodrigues, o brasileiro era um "narciso às avessas", alguém que cronicamente cospe na própria imagem e supervaloriza qualquer cultura externa. Enquanto Nelson via isso de forma mais passional, DaMatta o estuda como uma questão estrutural, resultante do contraste entre a nossa modernidade e o nosso passado escravocrata e colonial.


COPA DO MUNDO (ESTEREÓTIPOS DA NOSSA SOCIEDADE)

Quando brasileiros torcem para a Argentina—especialmente durante grandes campeonatos—o renomado antropólogo brasileiro Roberto Da Matta explica esse fenômeno por meio de suas análises sobre como o esporte reflete os dramas, sentimentos e estereótipos da nossa sociedade. Em seus estudos sobre a identidade nacional e o futebol, ele destaca que o esporte atua como uma espécie de "teatro social" que permite explorar a nossa alma e nosso coração de maneiras únicas.





 
 
 
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