
06/10/2026
UM POUCO DA HISTÓRIA
A extrema direita no Brasil não surgiu ontem, ela tem uma longa história que remonta aos anos 1930 e se atualiza nos dias de hoje, com novas tecnologias, mas as mesmas ideias. Seu ideário defende as classes dominantes e seus privilégios e entende as desigualdades sociais como justas e amparadas pelas tradições, pelo sobrenatural.
A ASCENSÃO CONTEMPORÂNEA
O fortalecimento recente da extrema direita no Brasil ganhou força expressiva a partir das manifestações de junho de 2013 e se consolidou com a crise política subsequente.
Os protestos iniciais contra o aumento das tarifas de transporte transformaram-se em um canalizador de insatisfações generalizadas contra o sistema político estabelecido.
CRISE E POLARIZAÇÃO (2014-2016)
O descontentamento econômico e os desdobramentos da Operação Lava Jato abriram espaço para a reorganização de pautas conservadoras e antissistema.
Eleição de 2018: O discurso de extrema direita unificou-se em torno da figura de Jair Bolsonaro, que capitalizou o antipetismo e o apelo por segurança pública e costumes tradicionais, culminando na vitória presidencial e na institucionalização desse espectro político no poder.
FORÇA HEGEMÔNICA?
Analistas políticos apontam que a extrema direita se consolidou como força hegemônica no Brasil após o avanço expressivo do Partido Liberal (PL) no Congresso Nacional das atuais eleições de outubro de 2026. O cenário político atual reflete mudanças profundas na correlação de forças do país. Segundo Sakamoto, "O PL não apenas venceu a eleição para o Senado ontem, mas almoçou boa parte da direita que se vendia como centrista, moderada, educada e de bons modos à mesa. E ainda pediu sobremesa."
CONEXÃO INTERNACIONAL E ACIRRAMENTO DA POLARIZAÇÃO
Cientistas políticos relacionam o fenômeno brasileiro a uma onda global de fortalecimento da direita antissistema, observada também em países da Europa e nas Américas. A disputa presidencial coloca o projeto do campo progressista frente a frente com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), evidenciando a polarização contínua na política nacional.
UMA DISPUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DA DEMOCRACIA
O projeto autocrático de Jair Bolsonaro continua firme e forte com a escolha de Flávio Bolsonaro, do PL, para ser o candidato à Presidência da extrema direita. “Fica implícito, na candidatura do filho, a ideia de que Trump manda no mundo, e Bolsonaro, no Brasil”, escreve o cientista político André Singer em seu novo livro, “Impasse: o Brasil diante da onda reacionária”.
O CATALISADOR DO PROCESSO
Singer disse que a democracia está “sendo solapada de maneira gradual, mas contínua”. Um novo governo de extrema direita no Brasil aceleraria muito esse processo, como está acontecendo com o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos.