- Antonio Jose Silva
- há 16 horas
- 2 min de leitura

17/05/2026
CAPITALISMO, UM CORPO INSEPULTO?
Para Yanis Varoufakis o capitalismo “morreu”, é esse fantasma que ainda nos assombra. Mas ainda temos muito a falar sobre ele. Hauntologia: um conceito filosófico e estético que descreve a persistência de elementos do passado assombrando o presente.
DO FEUDAL AO CAPITALISMO INDUSTRIAL
A Revolução Industrial (iniciada no século XVIII na Inglaterra) provocou uma das maiores transformações na história da humanidade, marcando a transição do sistema artesanal e feudal para o capitalismo industrial e a produção em massa. O mundo mudou de uma sociedade predominantemente agrária e rural para uma sociedade urbana, mecanizada e consumista.
CAPITALISMO, O MUTANTE
O filósofo Jacques Derrida sugere que a realidade é moldada por espectros de possibilidades não realizadas, traumas ou memórias culturais, influenciando áreas como música, cinema e teoria política. Yanis Varoufakis diria que, menos do que morto, o capitalismo está transformado e continuamente se transformando.
“TECNOFEUDALISMO” ou o CAPITALISMO DE SEMPRE?
Que sistema econômico está surgindo, após as transformações tecnológicas e as regressões sociais das últimas décadas? Quais as implicações para as lutas sociais e a ação política? Nas últimas quatro décadas, enfraqueceram-se, em todo o Ocidente, as formas de luta anticapitalista que haviam marcado os séculos anteriores. As greves e a organização sindical declinaram. As perspectivas de transformar o Estado por ação revolucionária dissiparam-se – em especial após a queda do muro de Berlim e do antigo bloco soviético.
TECNOFEUDALISMO
Um conceito em forma longa, um livro que reorganiza o que a gente acha que está vendo. Tecnofeudalismo: o que matou o capitalismo, de Yanis Varoufakis, aposta exatamente nisso de que já não vivemos sob o regime imaginado pelas palavras usuais (neoliberalismo, financeirização, capitalismo de plataforma), e que uma nova gramática é necessária. “O capitalismo morreu e se reencarnou sob uma nova forma: o tecnofeudalismo”.
O IMPÉRIO DAS INFRAESTRUTURAS DIGITAIS
Em vez de partir do “mercado” como cenário natural e do lucro como bússola, Varoufakis sugere que o centro de gravidade migrou para infraestruturas digitais proprietárias que cercam, conduzem e tributam comportamentos.
E POR FIM, UM REGIME HÍBRIDO
Mercados ainda existem, mas cada vez mais dentro de arquiteturas privadas que se comportam como feudos; trabalho assalariado ainda existe, mas cada vez mais guiado, medido e acelerado por sistemas de nuvem; e a vida cotidiana ainda se acha “livre”, mas é conduzida por ambientes de escolha desenhados para “capturar comportamentos”. Uma lente sobre estruturas de poder; para refletir e agir no mundo.