- Antonio Jose Silva
- há 4 horas
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03/08/2026
O RACISMO NO AMBIENTE CIENTÍFICO
O Brasil sofre os efeitos do racismo científico, do mito da democracia racial e da política de embranquecimento. Em 2019, 28% dos/as estudantes egressos/as de cursos de Medicina no Brasil eram negros/as. Com os objetivos de desvelar as formas de manifestação do racismo na graduação de Medicina e compreender como estudantes negros/as enfrentam o racismo, foi realizada uma pesquisa exploratória e qualitativa, intitulada ""Desvelando o racismo na escola médica: experiência e enfrentamento do racismo pelos estudantes negros na graduação em Medicina".
DESVELANDO O RACISMO NA MEDICINA
O artigo "Desvelando o racismo na escola médica: experiência e enfrentamento do racismo pelos estudantes negros na graduação em Medicina" (2022), de autoria de Vanessa Cristine Ribeiro Fredrich, Izabel Cristina Meister Coelho e Leide da Conceição Sanches, aborda como a expansão das cotas raciais tornou o racismo mais evidente nesses cursos. O estudo detalha o impacto dessa exclusão na saúde mental dos alunos e as estratégias de resistência que eles desenvolvem para permanecer na instituição.
OS PRINCIPAIS PONTOS DO ESTUDO
Invisibilização e Sobrecarga: O racismo institucional se manifesta na deslegitimação da capacidade intelectual do estudante negro, gerando uma sobrecarga de trabalho para provar que pertencem àquele espaço.
Impactos Psicológicos: Episódios de discriminação prejudicam a saúde mental e a autoestima, provocando sentimentos de insegurança e isolamento.
Redes de Apoio e Resistência: O enfrentamento se dá, principalmente, pelo acolhimento em coletivos negros estudantis, pelo apoio de professores parceiros e pela busca por representatividade.
Necessidade de Mudança Curricular: As autoras apontam que a educação médica precisa incluir debates aprofundados sobre relações étnico-raciais e adotar políticas ativas de permanência.
EXCLUSÃO SOCIAL
Dentre as formas de racismo ‘velado’ relatadas pelos/as estudantes, houve confundimento com outros funcionários – não sendo reconhecidos/as como estudantes de Medicina –, descrédito em suas habilidades, piadas de cunho racista, demonstração de surpresa ao revelarem que são da Medicina, tratamento como ‘exóticos/as’, recebimento de olhares de estranhamento e exclusão social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS No âmbito internalizado, há a crença de inferioridade, que ao mesmo tempo é reforçada em nível interpessoal de forma mascarada nos olhares e piadas ou comentários sobre o cabelo. No nível da instituição de ensino médico, nega-se a necessidade e a importância do estudo da saúde da população negra, enquanto a baixa representatividade no corpo docente e discente é pouco questionada e não percebida como expressão do racismo nesse espaço. Nos serviços de saúde, estereótipos associados à população negra ocasionam pior atendimento e até negação de direitos.