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Foto do escritor: Antonio Jose Silva
Antonio Jose Silva
há 4 minutos
2 min de leitura

10/10/2026


O RACISMO: NA RAIZ DA VIRADA

"O pobre de direita: a vingança dos bastardos" é o mais novo livro de Jessé Souza, doutor em Sociologia. Neste livro Jessé aborda como o ressentimento social, originado na humilhação e na exclusão, tem sido explorado por figuras como Jair Bolsonaro, e família, que manipulam as fragilidades de populações vulneráveis.

Independente de ganho econômico ou pauta de costumes, o novo trabalho do sociólogo indica que é o racismo que está na raiz da virada moralista que impulsionou a extrema direita no Brasil.


PERPETUAÇÃO DA DOMINAÇÃO

Jessé aprofunda o conceito de pobre de direita e revela como indivíduos desprivilegiados, tanto brancos quanto negros e mestiços, são seduzidos por discursos que prometem reconhecimento e dignidade, mesmo que isso signifique apoiar políticas que perpetuam sua própria opressão. Para ele, de fato – em conexão a histórias de racismo e desigualdade no Brasil – há sentimentos que perpetuam a dominação por meio da manutenção de estruturas de poder que limitam o desenvolvimento de uma verdadeira democracia social.


"A VINGANÇA DOS BASTARDOS"

Segundo Jessé, "Ressentimento é uma palavra que precisa ser definida; mas, obviamente, tem a ver com o quê? Tem a ver com o sentimento de humilhação que as parcelas mais econômicas das classes populares sofrem, ainda que as classes populares não sejam a mesma coisa. No Brasil, 80% do povo que ganha abaixo de cinco salários - metade ganha entre 2 e 5 salários e a outra metade abaixo de dois salários mínimos -, você teria duas classes. Uma classe que eu chamo provocativamente de ralé, a de oprimidos, de odiados, de abandonados, é 40%. Estão abaixo, ficam de zero a dois salários mínimos. E a que eu já chamei em outro livro de batalhadora, uma espécie de classe trabalhadora precária entre nós".


SÃO BASTARDOS DE QUÊ?

"Eles são os bastardos da nação brasileira, do projeto da nação brasileira. Desde Getúlio Vargas se tem a ideia de que isso aqui pode ser um país rico para todos, não apenas para uma pequena minoria, o 0,1% que tem toda a propriedade relevante e explora todo o mundo." Diz Jessé.


POBRES VOTANDO EM PARTIDOS ELITISTAS DE EXTREMA-DIREITA

“Torcei, virai, mas eis a lei da vida: primeiro, o pão, depois, a moral” Bertolt Brecht.

O pobre de direita é sem dúvida um fenômeno mundial, basta pensar no segundo mandato alcançado por Trump. E, mais, não se trata somente da Argentina governada por Milei ou do Brasil que elegeu Jair Bolsonaro e está prestes a eleger o filho primogênito. O conceito ou noção de pobre de direita surge da suposição ou premissa segundo a qual o ideário conservador e individualista (da direita) não corresponde aos interesses materiais das camadas pobres ou empobrecidas.


E POR FIM, FICAM INQUIETANTES QUESTÕES

A precarização do trabalho, a escassez induzida, a fragmentação da vida social, a alienação, antes de ser uma percepção e uma compreensão é uma condição material intencional e sistematicamente reproduzida por quem? E são essas condições materiais que devem ser modificadas. Será que realmente a extrema-direita, representante do mercado financeiro e do capitalismo com sua natureza intrinsecamente injusta, o fará?







 
 
 
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